O julgamento dos réus acusados de envolvimento na chacina ocorrida durante uma festa infantil em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi adiado nesta segunda-feira (13) ainda no início da sessão. Não há previsão para nova data.
O motivo do adiamento
Segundo nota divulgada pelo Tribunal de Justiça, o adiamento ocorreu a pedido das defesas de todos os réus, com concordância do Ministério Público, após a suspeita de infecção por tuberculose em um dos acusados, o que impediu sua presença no julgamento e levantou preocupação com risco de contaminação.
As defesas e o Ministério Público argumentaram que não seria possível desmembrar o júri, defendendo que todos os acusados sejam julgados juntos, sob pena de nulidade do processo. Diante disso, o juiz responsável decidiu adiar a sessão para garantir a regularidade do processo e o direito à ampla defesa de todos os envolvidos.
Confusão na saída
Na saída da audiência, familiares das vítimas e dos réus trocaram ofensas em frente ao fórum. De um lado, pessoas com camisas estampadas com fotos das vítimas cobravam justiça e entoavam gritos de “assassinos”. Do outro, parentes dos acusados defendiam a inocência dos réus. Em determinado momento, um familiar das vítimas avançou em direção ao grupo oposto e precisou ser contida por guardas municipais que monitoravam o local.
“A luta continua”
O advogado Bruno Torres, assistente de acusação que representa familiares das vítimas, afirmou que o adiamento já era uma possibilidade antevista pela acusação.
“Nas últimas horas, conseguimos perceber diversas manobras defensivas no processo. A gente lamenta profundamente, porque estávamos prontos, alinhados com a promotoria em busca de justiça, mas a luta continua”, disse.
Sobre a ausência do réu com suspeita de tuberculose, o advogado ponderou que ele era peça essencial tanto para a acusação quanto para as defesas, mas não descartou questionamentos futuros.
“Não posso afirmar que seja uma manobra, porque dependemos da unidade prisional para confirmar os exames. Se vier negativo, aí sim pode ter sido uma estratégia defensiva”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que dezenas de jurados pediram dispensa por medo, o que torna a remarcação mais complexa.
“O juiz vai precisar de um amparo estatal maior para remarcar. Ainda não temos previsão”, concluiu.
“Hoje o dia está sendo muito triste”
A mãe de uma das vítimas, Evelen Eduarda Maria de Oliveira, relatou o desgaste emocional com mais um adiamento, quase dois anos após o crime.
“A gente já está aguardando, já vai fazer dois anos. Chegar aqui e ver que foi sem sucesso é muito difícil”, desabafou.
Ela também denunciou as acusações sofridas por parte de familiares dos réus.
“Além deles matarem meu filho, minha sobrinha e o Felipe, a gente ainda tem que escutar a família deles chamar a gente de assassinos. Fica muito complicado”, disse.
Ao deixar o fórum sem uma definição, Evelen resumiu o sentimento:
“Hoje o dia está sendo muito triste, sair daqui sem nenhuma resposta. Mas vamos continuar aguardando. Aqui é só o começo.”
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