A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre o ataque a tiros que deixou três pessoas mortas em uma padaria de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O homem identificado como Magno Ribeiro da Silva preso após o crime foi indiciado como autor do triplo homicídio e também de uma tentativa de assassinato ocorrida no dia seguinte em uma oficina mecânica da mesma região.
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As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Homicídios de Ribeirão das Neves e os resultados foram apresentados em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (09). Segundo a corporação, exames balísticos confirmaram que a arma apreendida com o suspeito foi utilizada tanto no atentado contra a padaria quanto na tentativa de homicídio registrada cerca de 15 horas depois em uma oficina situada a poucos minutos do primeiro local do crime.
Com a confirmação pericial, a polícia descartou a participação de um adolescente que chegou a ser apontado como possível envolvido nas primeiras horas após o ataque. O trabalho investigativo começou ainda na madrugada seguinte ao crime. Desde o início, os investigadores consideraram a ocorrência incomum, principalmente pela forma como os disparos foram efetuados.
Durante as apurações, a polícia identificou um segundo ataque ocorrido em uma oficina da região. No local, duas pessoas foram alvo de disparos feitos por um homem que chegou de motocicleta, usando capacete e apresentando comportamento semelhante ao autor do ataque na padaria. Nenhuma das vítimas foi atingida.
Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento ajudaram a avançar na identificação do suspeito, já que tinham melhor qualidade do que as gravações do primeiro crime. Com base nesses registros, a polícia compartilhou imagens do homem com equipes da Polícia Militar e com moradores da região.
Dias depois, militares receberam informações que levaram à abordagem de um suspeito. Com ele, foi encontrada uma arma de fogo. O homem foi conduzido à Delegacia de Homicídios de Ribeirão das Neves, onde teve a prisão em flagrante confirmada.
Durante buscas na residência do investigado, os policiais encontraram objetos que também apareceriam nas imagens do ataque à padaria, como uma bolsa semelhante às utilizadas por entregadores de aplicativo e uma touca do tipo ninja.
A arma apreendida passou por perícia e os exames indicaram que ela foi usada nos dois crimes investigados, além de ter compatibilidade com os projéteis retirados dos corpos das vítimas. Sobre a motivação, o suspeito optou por permanecer em silêncio durante os interrogatórios. Ainda assim, a análise de informações reunidas pela investigação permitiu traçar um perfil preliminar do investigado.
Segundo a polícia, ele apresenta comportamento reservado e histórico de dificuldades em lidar com rejeições. No caso da oficina, os investigadores descobriram que o homem havia procurado o local cerca de dez dias antes do ataque para pedir informações sobre um curso de pintura automotiva, mas recebeu uma resposta negativa.
Já no caso da padaria, a linha investigativa aponta que o crime pode ter relação com uma tentativa frustrada de aproximação com uma funcionária do estabelecimento. A polícia também identificou registros anteriores envolvendo o suspeito em episódios de perseguição contra uma mulher, incluindo ameaças e tentativas de agressão após investidas rejeitadas.
Outro aspecto analisado foi a forma de execução dos ataques. De acordo com os investigadores, o comportamento do suspeito indicava uma postura semelhante a movimentos de “progressão tática”, com a arma sendo empunhada com as duas mãos. Ainda assim, a corporação ressaltou que não há elementos para relacionar diretamente os crimes a jogos ou conteúdos específicos.
No ataque à padaria, uma quarta pessoa chegou a ser alvo do atirador, mas sobreviveu. A investigação aponta que o suspeito tentou efetuar o disparo, porém a arma pode ter falhado ou ficado sem munição naquele momento. Com o indiciamento concluído, o inquérito foi encaminhado à Justiça, que dará continuidade às próximas etapas do processo.

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