A Polícia Civil de Minas Gerais realizou, na quarta-feira (25), a terceira fase da Operação Martelo Virtual, que tem como foco o combate a um esquema de estelionato conhecido como “golpe do falso leilão”. A ação resultou na prisão de quatro pessoas.
A investigação teve início em 2023, a partir de apurações conduzidas em Frutal, no Triângulo Mineiro. Segundo a polícia, o grupo atuava de forma estruturada em diversos estados, utilizando empresas de fachada e mecanismos sofisticados para ocultar valores obtidos ilegalmente.
Nesta etapa, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santo André, Boituva e São Caetano do Sul. Durante a operação, foram apreendidos celulares, documentos, veículos e outros materiais que serão analisados pelas autoridades.
De acordo com a PCMG, o grupo teria movimentado cerca de R$ 520 milhões nos últimos cinco anos, com base em dados obtidos após quebras de sigilo bancário e fiscal. Mais de 30 empresas foram identificadas como possíveis instrumentos para lavagem de dinheiro.
Ao todo, 56 pessoas já foram identificadas como investigadas. Considerando todas as fases da operação, já foram expedidos dezenas de mandados judiciais, incluindo prisões e buscas.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 260 milhões em bens e valores ligados aos suspeitos. Até o momento, aproximadamente R$ 41 milhões já foram bloqueados, incluindo imóveis, veículos, contas bancárias e até embarcações.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, os criminosos criavam sites falsos que imitavam plataformas legítimas de leilão de veículos. As páginas eram divulgadas na internet para atrair vítimas interessadas em comprar automóveis.
Após a falsa arrematação, os interessados eram direcionados para conversas em aplicativos de mensagens, onde recebiam orientações para realizar pagamentos via Pix, geralmente para contas de terceiros, dificultando o rastreamento dos valores.
A polícia estima que mais de 250 pessoas tenham sido vítimas do golpe apenas no último ano, com prejuízos que, em alguns casos, chegaram a R$ 200 mil.
As investigações seguem em andamento e também apuram possíveis ligações dos envolvidos com outras organizações criminosas, além de conexões com alvos da Operação Carbono Oculto, que investigou esquemas de lavagem de dinheiro no país.
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