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A greve dos servidores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), iniciada na terça-feira (17), já impacta o atendimento na rede estadual em Belo Horizonte. Mais de 30 cirurgias eletivas foram adiadas até a noite de quarta-feira (18), segundo a própria instituição.
Do total, 23 procedimentos programados no Hospital João XXIII foram suspensos. Outros oito adiamentos ocorreram no Complexo de Especialidades, que reúne o Hospital Júlia Kubitschek e o Hospital Alberto Cavalcanti. Já as cirurgias de urgência e emergência seguem sendo realizadas normalmente.
Em nota, a Fhemig informou que acompanha a paralisação de forma contínua e tem adotado medidas para garantir o funcionamento dos serviços. A instituição também afirmou que equipes estão em contato com os pacientes afetados para reavaliar os casos e reorganizar as agendas, priorizando situações mais graves.
Greve por tempo indeterminado
A paralisação foi aprovada em assembleia e começou ainda na manhã de terça-feira, em frente ao Hospital João XXIII. Os trabalhadores decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado, mantendo apenas escala mínima para assegurar o atendimento essencial.
A categoria reivindica recomposição salarial e melhores condições de trabalho. De acordo com representantes sindicais, o reajuste de 5,4% proposto pelo governo de Romeu Zema (Novo) não cobre as perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos, estimadas em cerca de 12%.
Além da questão salarial, os profissionais denunciam descontos considerados indevidos nos contracheques, falta de pagamento de benefícios, sobrecarga de trabalho e déficit de funcionários nas unidades.
Condições de trabalho e impactos
Segundo lideranças sindicais, a sobrecarga tem afetado diretamente a saúde dos trabalhadores e a qualidade da assistência prestada aos pacientes. Mesmo com a nomeação de concursados em 2025, a categoria afirma que o número de profissionais ainda é insuficiente diante da demanda crescente.
Outro ponto de crítica é o sistema eletrônico de gestão adotado pela fundação, que, segundo os trabalhadores, apresenta falhas e compromete o atendimento. Há relatos de dificuldades no acesso a prontuários e até atrasos na administração de medicamentos.
Problemas estruturais também são mencionados. Em algumas unidades, como hospitais do interior, faltariam condições adequadas para o transporte de pacientes em dias de chuva, o que pode levar ao adiamento de atendimentos.
Atendimento mantido parcialmente
Apesar da greve, os serviços considerados essenciais seguem funcionando. Setores como CTIs e atendimentos de urgência operam normalmente, enquanto áreas sem risco imediato têm redução de até 50% das equipes.
A rede da Fhemig conta com mais de 13 mil profissionais e 15 unidades distribuídas entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte e o interior de Minas Gerais, atendendo pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
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