O principal suspeito de matar a universitária Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, teria confessado o crime durante ligações telefônicas feitas a familiares. A informação foi confirmada à reportagem por um policial que participou do registro da ocorrência. O corpo da jovem foi localizado na tarde de terça-feira (10), às margens da BR-262, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Vanessa estava desaparecida desde a segunda-feira (9), quando saiu do trabalho.

Na casa do suspeito, de 43 anos, a polícia encontrou roupas com manchas de sangue e barro, compatíveis com o terreno de mata onde o corpo foi deixado. De acordo com relatos da família, ele chegou ao local com arranhões e sujo, pediu dinheiro à mãe e seguiu para Belo Horizonte, dizendo que passaria a viver nas ruas. Segundo um militar, durante as ligações ele não demonstrou arrependimento ao relatar o crime.
Histórico criminal
O homem possui um longo histórico no sistema prisional, com passagens por crimes como estupro, roubo, furto, tráfico de drogas e resistência. As condenações somam 38 anos, 10 meses e 29 dias de reclusão, dos quais mais de 23 anos já haviam sido cumpridos. Ele estava em liberdade após progressão de regime concedida em dezembro de 2025.
O processo teve mudanças após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em setembro de 2025, que desclassificou uma condenação por tráfico para uso de drogas, o que resultou na extinção de uma pena de oito anos. Com o recálculo da pena, o Juízo da Comarca de Patrocínio autorizou a progressão para o regime semiaberto domiciliar, com alvará de soltura cumprido em 20 de dezembro. Em janeiro, o processo foi transferido para Juatuba, cidade onde ele passou a residir.
Menos de dois meses após deixar a prisão, ele passou a ser investigado pelo assassinato de Vanessa. Diante do caso, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais expediu mandado de prisão e determinou a regressão cautelar para o regime fechado.
Moradores da cidade relataram que o suspeito era conhecido por assediar mulheres. Uma jovem, Isabela Martins, afirmou ter sido alvo de uma tentativa de violência por parte dele há cerca de dois anos. Nas redes sociais, ela lamentou o crime e criticou o fato de o homem ter sido colocado em liberdade.
Confissão e fuga
De acordo com a Polícia Militar, os agentes estavam na casa de parentes do suspeito quando ele telefonou e confessou o crime. Na ligação, disse que estava no Centro de Belo Horizonte. Depois disso, desligou e não voltou a atender. Os familiares confirmaram que ele chegou em casa na segunda-feira (9) com as roupas sujas de barro e sangue. Ele alegou ter usado drogas com uma mulher e que houve uma briga, antes de tomar banho, pedir R$ 200 à mãe e sair.
A família entregou à polícia o short que ele usava no dia, que também tinha manchas de sangue. A peça foi recolhida para perícia. Até o momento, ele não foi localizado e segue sendo procurado.
Corpo encontrado
O corpo de Vanessa foi encontrado em uma área de vegetação na Rua Santa Cruz, via que dá acesso à BR-262. A perícia identificou sinais de violência sexual e apontou como causa presumida da morte o estrangulamento com o cabo de energia do notebook da vítima. No local, foram apreendidos a mochila com roupas, o notebook e o celular dela.
Testemunhas ajudaram nas buscas após a família divulgar fotos da jovem nas redes sociais. Dois homens foram até a região onde ela havia sido vista pela última vez. Durante a procura, um deles encontrou uma calça jeans feminina suja de barro e, pouco depois, o outro localizou o corpo. A Polícia Militar foi acionada e isolou a área para o trabalho da perícia.
Últimos momentos e desaparecimento
Imagens de câmeras de segurança mostram Vanessa caminhando por ruas de Juatuba horas antes de desaparecer. Primeiro, ela aparece saindo da sede do Sistema Nacional de Emprego (Sine), onde prestava serviço para uma empresa terceirizada. Em seguida, surge em vias movimentadas e, depois, em um trecho mais isolado.
A jovem havia sido dada como desaparecida ainda na segunda-feira, quando não retornou para casa. A mãe registrou boletim de ocorrência e repassou suas características físicas, que foram confirmadas pelos militares no momento da localização do corpo.
Quem era Vanessa
Moradora de Pará de Minas, Vanessa cursava o 7º período de Psicologia e fazia estágio em Juatuba, para onde se deslocava diariamente de transporte coletivo. Professores e colegas a descreveram como uma pessoa tranquila, responsável e dedicada. Ela sonhava em trabalhar na área de Recursos Humanos.
Durante a graduação, também estagiou no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS-IJ), onde atuou com crianças e adolescentes com transtornos mentais severos.
A morte da estudante causou grande comoção na universidade, que suspendeu temporariamente as aulas da turma. O corpo foi levado ao Instituto Médico-Legal e liberado para a família na noite de terça-feira (10).
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