O médico ginecologista e obstetra Ivo de Oliveira Lopes, um dos fundadores do Hospital Sofia Feldman, morreu aos 79 anos, na noite dessa segunda-feira (2), em Belo Horizonte. Referência nacional na defesa do cuidado humanizado e da saúde pública, ele teve papel decisivo na consolidação da instituição como modelo de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em nota, o Hospital Sofia Feldman lamentou a morte do fundador e destacou o legado deixado pelo médico. Segundo a instituição, Ivo foi inspiração na construção de um modelo de cuidado baseado na dignidade humana, no acolhimento e no respeito às famílias.
“Sua presença marcou profundamente a história do hospital, deixando um legado que vai além das estruturas físicas e se traduz em valores, escolhas e formas de cuidado”, afirmou.
Por causa da morte, o hospital decretou luto institucional de sete dias, mas informou que os atendimentos seguem normalmente, sem interrupções.
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Trajetória e legado
Nascido em 5 de setembro de 1946, em Santana do Paraíso, no Vale do Aço, Ivo Lopes é considerado um dos nomes mais importantes da história da saúde pública em Minas Gerais. Pai de seis filhos, sendo cinco mulheres e um homem, ele dedicou a vida à defesa do acesso universal à saúde, à valorização das mulheres e à humanização da assistência obstétrica no Brasil.
Reconhecido como pioneiro nesse modelo de cuidado, Ivo foi um dos idealizadores do Hospital Sofia Feldman, criado ainda na década de 1970, em um período em que o acesso à saúde era restrito a contribuintes do antigo INAMPS. Ao lado de José de Souza Sobrinho, ligado à Sociedade São Vicente de Paulo, e do pediatra Marx Golgher, neto de Sofia Feldman, Ivo participou da criação de uma instituição que tivesse como princípio não negar atendimento a ninguém.
O projeto, inspirado em ideais da reforma sanitária e na Declaração de Alma-Ata, deu origem a um hospital que se tornaria referência nacional e internacional no cuidado humanizado ao parto, ao nascimento e à atenção integral à mulher, à criança e às famílias.
Segundo Lélia Maria Madeira, presidente da Fundação de Assistência Integral à Saúde (FAIS), mantenedora do hospital, Ivo sempre teve forte ligação com a medicina social. “Desde a formação, ele já demonstrava compromisso com a população mais vulnerável. Foi agregando pessoas, mobilizando a comunidade e construindo, pouco a pouco, uma instituição com profunda visão social, antes mesmo da criação do SUS”, afirmou.
Mesmo nos últimos anos, já com a saúde fragilizada, o médico mantinha vínculo ativo com o hospital. “Ele é um grande ídolo para todos nós. Foi o idealizador do hospital e da proposta que ele representa”, disse Lélia.
Doença e despedida
De acordo com a família, Ivo começou a passar mal no período do Natal e foi internado para uma cirurgia de urgência devido a uma obstrução intestinal. Durante o procedimento, os médicos identificaram um câncer de intestino em estágio avançado. Por causa da idade e do quadro clínico, ele não tinha condições de passar por uma cirurgia de grande porte.
Após receber alta, passou a ser acompanhado em casa por uma equipe do Emad, serviço domiciliar do SUS, em cuidados paliativos. Segundo a filha, Raquel Rabelo de Sá Lopes, o médico morreu em casa, às 22h15, cercado pela família.
“Ele teve uma passagem digna e humanizada, como sempre defendeu ao longo da vida”, afirmou.
Reconhecimento e homenagens
A morte de Ivo Lopes gerou grande comoção entre profissionais da saúde, ex-pacientes e colaboradores do hospital. Nas redes sociais, mensagens destacaram a influência do médico na formação de gerações de profissionais e no cuidado com milhares de famílias.
A Sociedade Mineira de Pediatria (SMP) também divulgou nota lamentando a morte e ressaltando o compromisso do médico com a dignidade humana, o cuidado humanizado e a defesa da saúde pública.
Dentro do Hospital Sofia Feldman, Ivo era considerado uma figura extremamente querida. Ele foi homenageado como presidente de honra da instituição e é lembrado como um homem generoso, acolhedor e à frente do seu tempo.
Velório e sepultamento
O velório de Ivo de Oliveira Lopes ocorre a partir das 19h desta terça-feira (3), no Cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte. O sepultamento está marcado para quarta-feira (4), às 9h, na quadra Bougainville.
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