O advogado do adolescente de 17 anos apreendido por suspeita de envolvimento no ataque a tiros que matou três mulheres em uma padaria na Região Metropolitana de Belo Horizonte afirma que não existem provas que liguem o jovem ao crime. Segundo Gilmar Francisco, a detenção do menor representa um grave equívoco judicial, e a família dele tem sofrido ameaças desde o ocorrido.

O pedido de liberação do adolescente foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na segunda-feira (9), acompanhado de documentos e materiais que, segundo a defesa, reforçam a versão de inocência. O crime aconteceu no dia 4 de fevereiro e deixou três vítimas: Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos; Ione Ferreira Costa, de 56; e Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14.
De acordo com o advogado, a principal fragilidade do caso é a falta de elementos concretos que comprovem a participação do jovem. Ele argumenta que não foram encontradas com o adolescente roupas, capacete, arma ou qualquer objeto relacionado ao ataque, e que nenhuma testemunha o reconheceu como autor. Ainda segundo a defesa, o boletim de ocorrência, citado na decisão judicial, não pode ser considerado prova de autoria.
O representante legal também questiona a condução da investigação, afirmando que o adolescente foi apreendido antes da apuração completa dos fatos. Ele sustenta que a própria família reuniu imagens de câmeras de segurança para demonstrar que o jovem estava em outro local no momento do crime, e que somente depois disso a polícia passou a analisar outras possibilidades.
Versão da defesa
Conforme o relato apresentado pela defesa, por volta das 20h30 do dia do ataque, o adolescente teria saído de casa para ir até uma mercearia próxima comprar bebidas e cigarros para a mãe. No local, ele teria comprado também um hambúrguer e feito um lanche antes de retornar.
Segundo o advogado, imagens de câmeras da rua registraram o trajeto do jovem entre 20h28 e 20h42. O horário coincide com o momento em que, conforme o boletim de ocorrência, o ataque à padaria aconteceu, por volta das 20h39.
O dono da mercearia foi intimado pela Polícia Civil e deve prestar depoimento. A defesa afirma que ele viu o adolescente no estabelecimento e que o testemunho pode reforçar a versão de que o menor não esteve na padaria naquele momento.
O jovem foi apreendido em flagrante no dia do crime e encaminhado para uma unidade socioeducativa.
Carta enviada à mãe
Em uma carta escrita à mão e entregue à família, o adolescente afirma ser inocente e relata dificuldades emocionais desde a internação. No texto, ele diz que não consegue dormir e que está sendo apontado como responsável por algo que não cometeu.
Ele também pede à mãe que reúna provas que comprovem sua presença na mercearia no horário do ataque. Na mensagem, o jovem diz que o verdadeiro responsável pelo crime ainda estaria solto e demonstra indignação com o que aconteceu, lamentando a morte de uma das vítimas, que, segundo ele, era sua ex-namorada.
A defesa afirma que o adolescente tem sofrido psicologicamente e não conseguiu lidar com a perda. O advogado também declarou que a família passou a receber ameaças e tem evitado sair de casa por medo. Segundo ele, além das três famílias que perderam entes queridos, há também outra família abalada pela exposição e pelas acusações.
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