A chuva sem trégua em Belo Horizonte acendeu o alerta para risco geológico em cinco das dez regionais da capital. Até a última terça-feira (3), apenas duas regiões estavam sob alerta, mas a Defesa Civil de BH ampliou as áreas de risco devido ao aumento do volume de precipitações.
Inicialmente, o órgão municipal havia emitido alerta moderado para as regiões Barreiro e Leste. No entanto, com a intensificação das chuvas, o cenário mudou: Barreiro, Leste e Centro-Sul passaram a estar sob alerta forte, enquanto as regiões Oeste e Pampulha encontram-se em risco moderado.
Segundo a Defesa Civil, o alerta de risco moderado é emitido quando o acumulado de chuva atinge 50 milímetros em até 48 horas. Já o alerta de risco forte ocorre quando o volume ultrapassa 70 mm em um período de 72 horas. Ambos indicam possibilidade de deslizamentos e desabamentos.
Chuva pode intensificar o risco de deslizamentos?
De acordo com a geógrafa Letícia Oliveira Freitas, a preocupação com desastres ambientais durante o período chuvoso não é exclusiva de Belo Horizonte, mas uma realidade enfrentada por diversos municípios brasileiros. Isso ocorre porque as cidades têm o solo cada vez mais impermeabilizado por edificações, vias e outras estruturas urbanas, além de cursos d’água canalizados e sem áreas de preservação permanente.
“O cenário é de escoamento superficial com grande volume de água e alta velocidade, provocado pelo relevo acentuado, pela ausência de áreas verdes, pelo alto grau de impermeabilização do solo e pelas deficiências no sistema de drenagem. Isso resulta em alagamentos, enchentes e deslizamentos”, explica a especialista.
Segundo Letícia, a irregularidade das chuvas, principalmente na forma de eventos extremos, com grande volume em curto período, é consequência direta das mudanças climáticas. Ela destaca que esses fenômenos têm se tornado cada vez mais frequentes e intensos, afetando a qualidade de vida, a segurança da população, a saúde pública e a infraestrutura urbana.
Sinais de deslizamento
- Trincas nas paredes
- Água empoçando no quintal
- Portas e janelas emperradas
- Rachaduras no solo
- Água escorrendo da base do barranco
- Inclinação de postes ou árvores
A orientação é que moradores evitem permanecer em residências localizadas em áreas muito inclinadas ou com risco de soterramento e procurem um local seguro. Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Previsão do tempo em BH
A previsão indica céu nublado, com chuvas e rajadas de vento a qualquer hora do dia, podendo haver raios a partir da tarde.
A menor temperatura registrada nesta terça-feira foi de 18,9°C, às 6h, na Estação Cercadinho, na Região Oeste, com sensação térmica de 16,7°C. A máxima pode chegar a 28°C, e a umidade relativa do ar mínima deve ficar em torno de 70% durante a tarde.
Apesar do alto volume de chuva registrado em janeiro de 2026, a meteorologia prevê redução no acumulado de precipitações em fevereiro. De acordo com a Defesa Civil municipal, a média climatológica de chuvas para o mês é de 177,7 mm em cada regional da capital.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), uma taxa de chuva de 1 milímetro por minuto equivale a 1 litro de água por minuto em uma área de 1 metro quadrado. Assim, uma chuva de 20 mm representa 20 litros de água por metro quadrado.
Mesmo assim, as regiões Barreiro e Centro-Sul já registraram mais da metade da chuva esperada para todo o mês em menos de quatro dias. Até a manhã desta quarta-feira (4/2), os acumulados eram de 92,2 mm no Barreiro e 94 mm na Centro-Sul.
Acumulado de chuvas até às 6h do dia 4/2
- Barreiro: 92,2 mm (51,9%)
- Centro-Sul: 94,0 mm (52,9%)
- Hipercentro: 34,0 mm (19,1%)
- Leste: 84,4 mm (47,5%)
- Nordeste: 59,0 mm (33,2%)
- Noroeste: 54,4 mm (30,6%)
- Norte: 41,0 mm (23,1%)
- Oeste: 56,0 mm (31,5%)
- Pampulha: 56,0 mm (31,5%)
- Venda Nova: 70,8 mm (39,8%)
Mínimas registradas por regional em 3/2
- Barreiro: 19,5°C, às 6h10
- Centro-Sul: 19,2°C, às 2h50
- Oeste: 18,9°C, com sensação térmica de 16,7°C, às 6h
- Pampulha: 20,3°C, com sensação térmica de 22,5°C, às 4h
- Venda Nova: 20,6°C, às 2h45
Como fica o tempo em Minas Gerais?
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a primeira semana de fevereiro será marcada por instabilidade em Minas Gerais. Áreas de instabilidade favorecem a ocorrência de chuvas fracas e contínuas, além de pancadas mais intensas, com possibilidade de tempestades.
Há previsão de chuva em todo o estado, inclusive com chance de queda de granizo em algumas localidades. As temperaturas permanecem mais amenas, mas a alta umidade pode provocar sensação de abafamento. A instabilidade deve persistir pelo menos até sexta-feira (6).
De acordo com o Inmet, o dia será de céu nublado com pancadas de chuva e trovoadas isoladas nas regiões do Triângulo, Alto Paranaíba, Oeste, Sul, Sudoeste, Campo das Vertentes, Zona da Mata, Metropolitana e Central. Nas demais regiões, o céu varia de parcialmente nublado a nublado, também com pancadas de chuva e trovoadas isoladas.
GRUPO COM NOTÍCIAS DO POR DENTRO DE MINAS NO WHATSAPP
Gostaria de receber notícias como essa e o melhor do Por Dentro de Minas no conforto por WhatsApp. Entre em grupos de últimas notícias, informações do trânsito da BR-381, BR-040, BR-262, Anel Rodoviário e esportes.
Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Acompanhe o Por Dentro de Minas no YouTube
Assista aos melhores vídeos com as últimas notícias de Belo Horizonte e Minas Gerais. Informações em tempo real.







