Após o extravasamento de uma estrutura de mineração da Vale, localizada na divisa entre Ouro Preto e Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), fez um alerta sobre os impactos ambientais do incidente e cobrou medidas mais rigorosas de monitoramento e fiscalização. Apesar da gravidade ambiental, não há registro de feridos.
De acordo com o prefeito, cerca de 220 mil metros cúbicos de água — volume equivalente a 88 piscinas olímpicas — vazaram da estrutura durante a madrugada, atingindo cursos d’água do município e provocando um aumento significativo da turbidez do rio Maranhão, que corta a cidade.
Segundo Cabido, a estrutura não armazenava rejeitos de mineração, mas o extravasamento acabou arrastando sedimentos, causando impacto ambiental relevante. “Trouxe um impacto ambiental significativo. A gente já viu um aumento do volume da água no rio e um aumento expressivo da turbidez, o que mostra que esse material de fato chegou lá”, afirmou.
A Prefeitura de Congonhas informou que o rio Maranhão não é utilizado para abastecimento de água nem para atividades econômicas, justamente por conta do acúmulo histórico de resíduos em suas margens.
Antes de alcançar os córregos que deságuam no rio Maranhão, o extravasamento alagou áreas de uma mineração vizinha, da CSN. Segundo a empresa, foram atingidos o almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, áreas de embarque e outras estruturas operacionais. Parte dos sedimentos foi contida por um sump — reservatório localizado no fundo da cava da mina. A CSN afirmou que não há risco estrutural em suas instalações.
Ainda conforme o prefeito, o vazamento não foi percebido pelos funcionários da Vale que atuavam durante a madrugada, sendo identificado apenas pela equipe do turno seguinte, já pela manhã. Cabido afirmou que acredita não haver risco de novos extravasamentos, pois a estrutura retornou ao nível normal.
O prefeito também criticou a comunicação e o monitoramento da estrutura. Segundo ele, a Prefeitura foi informada inicialmente pela CSN e só depois pela Vale. “É uma surpresa para nós porque isso não estava sendo monitorado. Deveria ser monitorado, porque, ainda que não seja uma barragem de rejeitos, é uma barragem de água com grande volume”, questionou.
O Governo de Minas Gerais informou que equipes técnicas permanecerão no local até que todos os esclarecimentos sejam prestados, incluindo as causas do vazamento e a avaliação de possíveis impactos ambientais e humanos.
O incidente ocorreu exatamente sete anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, tragédia que deixou 272 mortos e marcou profundamente o estado.
Posicionamentos
Nota da Vale
A Vale esclarece que, na madrugada deste domingo (25), houve extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). O fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa. Pessoas e a comunidade da região não foram afetadas. Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas.
A Vale reforça que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Nota da CSN Mineração
Na madrugada de hoje (25/1), houve uma ocorrência em uma cava pertencente à Mineradora Vale, o que provocou o alagamento de áreas na unidade Pires, em Ouro Preto, de propriedade da CSN Mineração, incluindo o Almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque entre outras áreas e atividades. Importante ressaltar que todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente.
A CSN Mineração informa que, desde o primeiro momento, acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes já foram comunicadas.
Nota da Prefeitura de Ouro Preto
A Defesa Civil foi notificada sobre uma ocorrência em uma área rural do município, localizada em região distante tanto da sede quanto dos distritos.
Neste momento, agentes da Secretaria de Segurança e Trânsito, juntamente com o Departamento de Defesa Civil, estão se deslocando até o local para uma averiguação in loco.
Assim que tivermos informações mais precisas, retornaremos com novos esclarecimentos.
Nota do Governo de Minas
O Governo de Minas Gerais, por meio da Defesa Civil Estadual, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Polícia Militar de Minas Gerais e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável informa que está atuando com equipes, desde a manhã deste domingo (25/01), entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto, na região conhecida como Mina de Fábrica, para verificar ocorrência envolvendo uma estrutura na área de atuação da empresa Vale, com possível impacto na CSN.
As equipes irão permanecer no local até que todos os esclarecimentos sejam prestados para conferência do que motivou tal episódio, bem como possíveis impactos ambientais, humanos e demais.
Reforçando seu compromisso com a transparência, o Governo de Minas seguirá informando imprensa e cidadãos tão logo tenha mais detalhes sobre o fato.
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