A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, nesta quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, o homem que havia fugido do Ceresp Gameleira, em Belo Horizonte, após utilizar um alvará de soltura falsificado. A prisão foi confirmada pelo governador Romeu Zema (Novo), por meio das redes sociais.
O suspeito é Ricardo Lopes de Araújo, de 32 anos, conhecido como “Dom”, apontado como líder de uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas contra o sistema da Justiça. Segundo as investigações, o grupo invadia plataformas judiciais utilizando credenciais legítimas obtidas de forma ilícita, com o objetivo de desbloquear bens, alterar mandados de prisão e emitir alvarás de soltura fraudulentos.
Dom teria utilizado esse esquema para hackear o sistema da Justiça e emitir um alvará de soltura em seu próprio nome, crime que motivou sua prisão em 10 de dezembro. No entanto, em 20 de dezembro, ele e outros três detentos conseguiram deixar o Ceresp Gameleira usando o documento falso. Dois dos comparsas já haviam sido recapturados anteriormente.
Em publicação nas redes sociais, o governador Romeu Zema celebrou a prisão.
“Recebi com orgulho a informação de que, em mais uma ação rápida e certeira, a PCMG prendeu hoje, no Rio, o hacker que fraudou alvarás de soltura, inclusive o próprio, no fim do ano. Ele já está voltando para o presídio. Em Minas, não há bandido mais esperto que a polícia”, escreveu.
De acordo com a Polícia Civil, outro integrante do grupo também foi preso nesta quarta-feira. Ele estava foragido desde a deflagração da primeira fase da Operação Veredicto Sombrio, que investiga o esquema.
Sistema da Justiça foi alvo de fraudes
Durante coletiva de imprensa realizada em 23 de dezembro, o vice-governador Mateus Simões (PSD) revelou que, além de ter sido beneficiado pelo alvará falso, Dom chegou a constar no sistema da Justiça como falecido, o que teria facilitado a retirada de seu nome de registros ativos.
Apesar disso, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou, em nota, que não houve falha sistêmica. Segundo o órgão, os documentos fraudulentos foram gerados por meio do uso indevido de credenciais verdadeiras, obtidas de forma criminosa, sem envolvimento comprovado de servidores do Judiciário.
As investigações começaram em julho e apontaram que a organização atuava em três frentes principais: bloqueio e desbloqueio de contas e veículos, alteração de mandados de prisão e emissão irregular de alvarás de soltura.
Segundo o delegado Álvaro Huertas, responsável pelo caso, apesar das tentativas de fraude, não houve prejuízo ao Judiciário, já que as ações foram identificadas a tempo pelas equipes de inteligência dos tribunais.
“Os sistemas são seguros. As tentativas criminosas foram detectadas, o que permitiu a atuação rápida das forças de segurança”, afirmou a delegada-geral Letícia Gamboge.
Ainda conforme a PCMG, o perfil dos investigados foge ao padrão de organizações criminosas tradicionais.
“É um grupo não violento, com alto nível de conhecimento técnico, amplo acesso a recursos informáticos e pertencente à classe média. Passavam o dia inteiro diante do computador”, destacou Huertas.
Ricardo Lopes de Araújo deve ser reconduzido ao sistema prisional mineiro e permanece à disposição da Justiça, enquanto as investigações seguem para identificar outros envolvidos no esquema.
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