Com o agravamento da falta de segurança na região do Barreiro, em Belo Horizonte, devido à disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas na Vila Cemig e no Conjunto Esperança, duas linhas de ônibus tiveram o itinerário alterado desde a última segunda-feira (19). A informação foi confirmada pela Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob).
Segundo o órgão, enquanto o cenário de violência persistir, as linhas 319 e 332 seguirão operando com mudanças no trajeto. O clima de medo e insegurança tem se intensificado nos últimos dias e passou a impactar diretamente a rotina dos moradores, inclusive o transporte público.
No domingo (18), mensagens com um suposto “código de conduta” começaram a circular em grupos de WhatsApp de moradores da Vila Cemig. O conteúdo, sem autoria identificada, orientava motoristas a circularem com os faróis baixos e a luz interna dos veículos acesa. Além disso, o texto pedia que moradores do Conjunto Esperança evitassem transitar pela Vila Cemig, área dominada por facções rivais. A divulgação do comunicado ocorreu após uma tentativa de homicídio na Vila Cemig, que deixou duas pessoas baleadas.
Funcionários das empresas que operam as linhas, que preferiram não se identificar, relataram que a mudança no itinerário partiu dos próprios motoristas, por medo de circular pela região.
“Um motorista falou ‘eu não vou passar lá’, o outro disse ‘eu também não’. Isso acabou chegando aos encarregados, que acionaram a Sumob, e aí veio a ordem”, relatou um deles.
Ainda segundo o funcionário, viagens previstas para os horários de 12h45 e 13h15 da última segunda-feira (19) chegaram a ser suspensas após uma troca de tiros na região. “A Polícia Militar pediu para não ir até lá”, afirmou.
A situação tem causado transtornos aos usuários. O aposentado José Eustáquio de Oliveira, de 70 anos, aguardou por longo tempo o ônibus da linha 332, que liga a Estação Barreiro ao bairro Milionários, passando pelo Conjunto Esperança. Na manhã desta terça-feira (20), segundo ele, além de não atender todos os pontos, o coletivo não tinha horário definido para sair.
“Eu não vou até lá, mas hoje a demora está além do normal. Toda hora o painel muda. Primeiro diz que sai em 10 minutos, depois passa para 20. Quem não tem nada a ver com isso acaba pagando o preço”, lamentou.
A Sumob informou que cartazes estão sendo afixados na Estação Barreiro para orientar os passageiros sobre as alterações. Em nota, o órgão afirmou que a Polícia Militar foi acionada para garantir as condições de segurança e possibilitar o retorno do itinerário normal das linhas. Não há, até o momento, previsão para a normalização do serviço.
Por e-mail, a Polícia Militar de Minas Gerais, por meio do 41º Batalhão, informou que tomou conhecimento das mensagens que circulam nas redes sociais e que está apurando a autoria e a veracidade do conteúdo. Segundo a corporação, ainda não há confirmação oficial sobre a origem das mensagens ou sobre eventual ligação com facções criminosas de outros estados.
O policiamento segue reforçado na Vila Cemig e no Conjunto Esperança nesta terça-feira (20). De acordo com a PM, na Vila Cemig atuam criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV), enquanto no Conjunto Esperança há atuação do Terceiro Comando Puro (TCP).
A disputa entre as facções teve início no dia 4 de dezembro, quando um grupo armado ligado ao CV, utilizando uniformes semelhantes aos da Polícia Civil, atacou o Conjunto Esperança. A ação deixou dois mortos, um de cada lado, e nove pessoas feridas.
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