Uma mulher de 39 anos, apontada como elo operacional do Comando Vermelho (CV) entre Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro, foi presa em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos (RJ). A prisão ocorreu em 22 de dezembro de 2025, mas só foi confirmada nesta terça-feira (13) pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp).
Identificada como Anne Cristina Casaes, conhecida no meio criminoso como “Dama do Crime”, a investigada estava foragida da Justiça e já era monitorada por órgãos de inteligência por envolvimento em articulações interestaduais de organizações criminosas. A operação foi conduzida pela Agência Central de Inteligência (AGCI) de Minas Gerais, em parceria com a Subsecretaria de Inteligência do Estado do Rio de Janeiro, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e a Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ).
A prisão foi possível após o compartilhamento qualificado de informações de inteligência entre os estados. A abordagem em Búzios foi realizada por militares do 25º Batalhão da PM do Rio de Janeiro.
Fraude no sistema do CNJ
Durante as investigações, os órgãos de segurança identificaram uma fraude no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo a Sejusp, constava indevidamente o registro de cumprimento de um mandado de prisão, embora Anne Casaes não estivesse sob custódia. A irregularidade teria ocorrido por meio do uso indevido de credenciais funcionais vinculadas a um servidor do sistema prisional de Minas Gerais.
O caso foi comunicado ao Tribunal de Justiça, que adotou as medidas necessárias para corrigir a situação processual e expediu um novo mandado de prisão. Paralelamente, os órgãos de inteligência do Rio de Janeiro mantiveram monitoramento contínuo da investigada, o que levou à sua localização e captura.
Atuação no Comando Vermelho
De acordo com as investigações, Anne Casaes exercia um papel estratégico dentro do Comando Vermelho, sendo responsável por intermediar a comunicação entre lideranças da facção em diferentes estados. Ela também é apontada como uma das articuladoras de um esquema de lavagem de dinheiro, no qual recursos ilícitos saíam do Mato Grosso, passavam por contas no Rio de Janeiro e retornavam ao estado de origem com aparência de legalidade, por meio de negociações envolvendo veículos e gado.
Em julho de 2025, Anne foi presa em uma cobertura no bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, durante uma operação que investigava lavagem de capitais, articulação criminosa e possíveis fraudes bancárias. No entanto, ela foi liberada no mesmo dia, sob a justificativa de ser mãe de uma criança de dois anos que estava acamada após uma cirurgia.
Ainda segundo a polícia, a atuação criminosa da investigada teria se intensificado após o assassinato do marido, Anders Araújo de Cerqueira, conhecido como “Júnior Gago”, ex-chefe do Comando Vermelho no Mato Grosso, morto na Bolívia.
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