A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, por feminicídio qualificado e fraude processual. Ele é suspeito de matar a companheira, Henay Rosa Amorim, de 33 anos, e tentar simular um acidente de trânsito na MG-050, em Itaúna, na região Centro-Oeste do estado. O crime ocorreu em 14 de dezembro, mas as investigações concluíram que a morte não aconteceu na rodovia, como o investigado alegou inicialmente.
Segundo a PCMG, Henay foi assassinada no apartamento do casal, no bairro Nova Suíça, na região Oeste de Belo Horizonte. A conclusão foi apresentada em coletiva nesta sexta-feira (23) e contraria a versão inicial de Alison, que dizia que a companheira morreu em decorrência de um acidente de carro.
De acordo com o delegado João Marcos do Amaral Ferreira, responsável pelo caso, o casal, que mantinha um relacionamento havia cerca de um ano, discutiu durante a madrugada. Nesse contexto, Alison teria asfixiado a vítima, além de provocar traumatismos no rosto e na cabeça. A necropsia confirmou que a causa da morte foi asfixia por constrição cervical externa, com sinais de esganadura, associada a traumatismo cranioencefálico, descartando a hipótese de morte causada pelo acidente.
Após o crime, por volta das 4h49, o investigado colocou o corpo de Henay no carro. Imagens de câmeras de segurança do prédio mostram Alison arrastando a vítima, com sinais claros de que ela já estava inconsciente, e a colocando no banco do motorista. Por ser síndico do edifício, ele tinha acesso às câmeras e conhecia pontos cegos, mas as gravações foram suficientes para esclarecer a dinâmica do crime.
Minutos depois, ele retornou ao apartamento e saiu novamente carregando um colchão, onde, segundo a polícia, o crime ocorreu. O objeto foi descartado em local ainda desconhecido.
Por volta das 5h10, Alison deixou o prédio dirigindo o veículo a partir do banco do passageiro, acionando os pedais com os pés e controlando o volante com uma das mãos. Câmeras de prédios vizinhos registraram a manobra. O carro seguia com insulfilm escuro, inclusive no para-brisa, o que dificultou a visualização interna, mas a janela do passageiro aberta permitiu identificar a posição do investigado.
Na MG-050, por volta das 5h56, o carro passou por uma praça de pedágio. A atendente relatou à polícia que viu Henay desacordada no banco do motorista, enquanto Alison, visivelmente nervoso e com ferimentos, conduzia o veículo do lado do carona e recusou ajuda. Pouco depois, no km 90 da rodovia, ele jogou o carro na contramão e bateu de frente com um ônibus, com o objetivo de forjar um acidente e ocultar o feminicídio.
Após a colisão, Alison recebeu atendimento médico, fugiu do hospital e retornou ao apartamento, onde tentou limpar vestígios do crime e desligar uma câmera interna. A perícia, no entanto, encontrou sangue da vítima no sofá, no chão, na porta e na maçaneta do imóvel.
As investigações também revelaram um histórico de violência doméstica. Uma câmera instalada na residência registrou agressões anteriores contra Henay. Embora o equipamento tenha sido descartado, as imagens haviam sido enviadas ao celular do investigado e foram recuperadas pela polícia. Há registros de agressões em agosto do ano passado, quando a vítima chegou a procurar atendimento médico com diagnóstico de traumatismo cranioencefálico leve e hematomas pelo corpo.
Além disso, familiares relataram episódios de violência, e mensagens enviadas por Henay reforçaram o histórico de agressões. Exames periciais apontaram ainda material genético do investigado sob as unhas da vítima, compatível com lesões de defesa.
Alison foi preso durante o velório de Henay. Em um primeiro momento, negou o crime, mas posteriormente confessou o feminicídio, apresentando uma versão que foi contradita pelas provas reunidas.
Com base em todos os elementos, a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o suspeito por feminicídio qualificado e fraude processual. O caso já foi encaminhado ao Poder Judiciário.
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