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A Prefeitura de Belo Horizonte instituiu oficialmente o Dia Municipal do Gari, que passará a ser celebrado anualmente em 11 de agosto, data em que o coletor Laudemir de Souza Fernandes foi morto durante o trabalho, em 2025. A medida foi sancionada nesta sexta-feira (9) pelo prefeito em exercício Juliano Lopes (Podemos) e publicada no Diário Oficial do Município (DOM).
A nova lei, de nº 11.950, entra em vigor imediatamente e já prevê a celebração da data a partir deste ano. Além de homenagear Laudemir, a iniciativa busca reconhecer a importância dos profissionais da limpeza urbana para a saúde pública e o funcionamento da capital mineira.
O crime
Laudemir foi assassinado na manhã de 11 de agosto de 2025, enquanto atuava na coleta de lixo na Rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. Naquele dia, ele substituía um colega afastado por lesão e trabalhava em uma rota diferente da habitual.
Durante o serviço, a motorista do caminhão de coleta, Eledias Aparecida Rodrigues, percebeu a formação de uma fila de veículos atrás do caminhão e decidiu manobrar para liberar a via. Segundo relatos, ela e os garis sinalizaram para que um motorista, Renê da Silva Nogueira Júnior, que conduzia um carro da marca BYD, seguisse em frente.
Ainda conforme os depoimentos, o motorista reagiu de forma agressiva, ameaçando atirar caso o caminhão encostasse em seu veículo. Ele chegou a apontar uma arma para a motorista e afirmou que “daria um tiro na cara” dela.
O gari Tiago Rodrigues tentou intervir, colocando-se entre o suspeito e a condutora. Mesmo sem haver contato entre os veículos, Renê avançou alguns metros, parou o carro, desceu armado e, após recolher o carregador da pistola que havia caído no chão, efetuou um disparo. O tiro atingiu Laudemir no abdômen, atravessando o corpo.
O trabalhador foi socorrido e levado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, na Região Metropolitana, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em decorrência de hemorragia interna. No local do crime, a polícia recolheu um projétil de munição calibre .380.
Investigação e repercussão
Laudemir atuava havia cerca de dez anos como gari e havia conquistado recentemente a guarda da filha. Segundo colegas, ele estava ansioso para encerrar o turno mais cedo naquele dia para receber uma visita do Conselho Tutelar em sua nova residência.
Renê da Silva Nogueira Júnior foi preso horas depois do crime e é investigado por homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ameaça. Três testemunhas o reconheceram. Apesar de inicialmente confessar o disparo, o investigado posteriormente alegou não ter intenção de matar.
Reconhecimento e homenagem
A criação do Dia Municipal do Gari teve origem em um projeto apresentado pelo vereador Bruno Pedralva (PT) e aprovado pela Câmara Municipal. Na justificativa, o parlamentar afirmou que a data representa mais do que uma homenagem simbólica, sendo um ato de valorização, justiça e reparação a uma categoria frequentemente exposta à violência e à invisibilidade social.
Segundo Pedralva, a morte de Laudemir evidenciou a vulnerabilidade enfrentada por trabalhadores essenciais à cidade, que exercem suas funções em condições adversas e com pouca proteção.
Com a nova legislação, Belo Horizonte passa a incluir oficialmente em seu calendário uma data dedicada aos garis, reforçando o reconhecimento do papel fundamental desses profissionais na manutenção da cidade.
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