Gritos como “Zema ladrão, a Copasa é do povão!” e “a Copasa é nossa!” ecoaram na manhã desta quarta-feira (22) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Milhares de trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ocuparam o Auditório José Alencar e o Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, enviada pelo governador Romeu Zema (Novo), que busca retirar a exigência de referendo popular para a privatização ou federalização da estatal.
A audiência pública, convocada pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, foi um pedido do bloco de oposição Democracia e Luta, formado por 20 deputados.
“São mais de seis mil pessoas hoje aqui presentes”, destacou o presidente da comissão, deputado Betão (PT).
O presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), Jairo Nogueira, classificou o ato como um “dia histórico para o movimento sindical” e citou pesquisa da Rádio Itatiaia indicando que 66% da população mineira é contra a retirada da consulta popular. Já o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, alertou que “a primeira consequência da privatização é o corte de empregos e a redução salarial”, comparando o processo à venda da Sabesp, em São Paulo.
O coordenador do Sindieletro-MG, Emerson Andrada Leite, também criticou a proposta.
“Nunca houve debate público sobre as consequências reais da privatização. Onde ela deu certo? Onde o povo teve água melhor e serviço de qualidade? Nunca”, afirmou.
Além dos trabalhadores da Copasa, servidores da Educação, dos Correios e do Itamaraty, além de vereadores de Pedro Leopoldo, Contagem e Belo Horizonte, manifestaram apoio ao movimento.
Governo defende privatização como caminho para investimentos e universalização
O secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Frederico Amaral e Silva, defendeu a medida como parte da estratégia para amortizar a dívida do Estado com a União, dentro do Programa do Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Segundo ele, a venda da Copasa ajudaria o Estado a atingir 20% de amortização da dívida e garantir juros zero, além de permitir investimentos em Educação e Saúde.
“O Estado não tem capacidade financeira de fazer isso sem desestatizar algumas empresas”, justificou.
Amaral também afirmou que a privatização ajudaria a universalizar o saneamento até 2033, meta do Marco Legal do Saneamento, e atender quase 4 milhões de mineiros sem água potável.
O presidente da Copasa, Fernando Passalio de Avelar, reforçou o argumento e disse que “a universalização exige mais eficiência, competitividade e agilidade”. Ele destacou que a empresa vive um dos melhores momentos da história, com investimentos previstos de R$ 17 bilhões até 2029, e negou que o processo vá gerar demissões.
Sindicato rebate e acusa governo de mentir sobre dados
O presidente do Sindágua-MG, Eduardo Pereira de Oliveira, reagiu às falas dos representantes do governo e acusou-os de mentirem. “A Copasa está matando trabalhadores. Quero ver falar isso para as famílias das vítimas”, disse, citando acidentes fatais em Salinas, Divinópolis e Cabo Verde.
Ele também questionou a coerência do governo ao defender a privatização sob o argumento de falta de recursos.
“O próprio presidente da Copasa anunciou R$ 17 bilhões em investimentos. Como falta dinheiro?”, ironizou.
O sindicalista exibiu ainda reportagens que mostram visões diferentes do governo sobre a estatal, lembrando que o vice-governador Mateus Simões já criticou investimentos feitos “à beira da privatização”.
“De qual Copasa estamos falando?”, provocou. “De uma empresa eficiente, que já universalizou a água tratada, ou de uma companhia que precisa ser vendida sem ouvir o povo?”, concluiu.
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