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Gerais

Folclore: oito livros para apresentar às crianças e jovens a riqueza cultural brasileira

Curitiba, PR 26/8/2020 –

A leitura é excelente oportunidade para abordar a cultura dos povos e regiões do Brasil.

Ampliar o repertório cultural das crianças é tão importante que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) considera esse trabalho como uma das dez competências fundamentais para o desenvolvimento integral do indivíduo. E para que esse repertório seja rico e vasto, não se pode deixar de fora o folclore – conjunto de tradições e manifestações populares constituído por lendas, mitos, provérbios, danças e costumes que são passados de geração em geração.

No Brasil, o tema costuma ser amplamente trabalhado pelas escolas no mês de agosto, conhecido como o mês do folclore. A abordagem é uma forma de preservar a cultura popular e valorizar as histórias e personagens do folclore nacional. Para a editora de Literatura do Sistema Positivo de Ensino, Cristiane Mateus, usar o folclore para apresentar à crianças e jovens a cultura de uma determinada região ou povo é um processo rico de aprendizado sobre o legado de uma época. “É justamente essa identidade cultural que dá origem ao modo de pensar, sentir e agir das pessoas”, explica a editora. Para ela, uma das melhores formas de se apresentar todo esse repertório para crianças é por meio da leitura de livros que retratam histórias e lendas.

Para aproveitar a época e abordar o tema em casa, com as crianças e adolescentes, a editora fez a seleção de oito livros que mostram a riqueza do folclore brasileiro.

A Flor do Mato, de Marcelo Pimentel

O livro homenageia a cultura nordestina, sobretudo da Paraíba, Pernambuco e Ceará, onde a crença sobre a personagem Maria Florzinha é mais forte. Na obra, o autor traz grafismos do Maracatu Rural – manifestação cultural com estampas florais e arabescos multicoloridos, de grande personalidade e impacto visual, com forte presença no interior de Pernambuco.

Festa no Céu, de Maria Viana, com ilustrações de Mateus Rios

A notícia de uma festa no céu agitou a bicharada. Mesmo sem ser convidado, o Mestre Sapo não queria perder o grande acontecimento. Mas como chegar lá se sapo não voa? Com belas ilustrações de Mateus Rios, a obra de Maria Viana é uma adaptação para teatro de uma das mais conhecidas histórias do folclore brasileiro, na qual o Mestre Sapo, mesmo não podendo voar, planeja participar do grande evento no céu.

Era Lobisomem mesmo, de Adriano Messias, com ilustrações de Maria Eugênia

Toda sexta-feira de lua cheia era a mesma confusão: uivos, latidos, rosnados e muito medo. O pai achava que era gato e a mãe falava que era fruta caída do pé, mas o garoto teimava em dizer que era lobisomem mesmo. Como descobrir? Com esta atraente narrativa, Adriano Messias leva o leitor até a fronteira entre a realidade e a imaginação, revelando um pouco mais sobre um personagem tão conhecido da cultura popular, o lobisomem. Reza a lenda que ele é, na verdade, um homem que se transforma em uma criatura metade lobo, metade homem, sempre nas noites de sextas-feira de lua cheia.

Curumim, de Tiago Hakiy, com ilustrações de Andréia Vieira

A obra é uma oportunidade de aproximar o cotidiano das crianças com a cultura indígena e de formação cultural do Brasil. O povo Sateré-Mawé é considerado o grande descobridor do uso do guaraná, que é usado hoje, por exemplo, para a produção do xarope de guaraná e dos refrigerantes que os brasileiros conhecem. Existe uma lenda, entre os mawés, para explicar a aparência da planta e de seus frutos, considerado semelhante ao olho humano. No livro, o curumim Sateré-Mawé adora pescar e comer fruta no pé. Entre pitangueiras e açaizeiros, ele brinca, passeia e se diverte. Até que chega a hora de dormir…

Noite e dia na Aldeia, de Tiago Hakiy, com ilustrações de Bruno Nunes

O autor deste livro faz parte do povo indígena Sateré-Mawé, que vive entre os estados do Amazonas e do Pará, na reserva indígena Andirá-Maraw. A obra narra poeticamente a integração das crianças e dos animais da floresta com elementos da noite e do dia. É uma excelente oportunidade para mergulhar na cultura indígena.

Tempo de Caju, de Socorro Acioli, com ilustrações de Mauricio Negro

Os cajueiros exigem paciência, pois só dão frutos uma vez por ano. A cada safra, Porã guardava uma castanha em sua cabaça. Junto dela, conservava uma outra cabaça, que o avô lhe deixara como herança. Ao completar sete anos, Porã teve de fugir com sua tribo da invasão de um povo inimigo. Tempo de caju é uma história inspirada numa antiga tradição dos índios brasileiros e recriada de forma poética por Socorro Acioli. Acredita-se que os cajus eram usados para a marcação do tempo no calendário tupi e que cada castanha de caju guardada representava um ano.

Morõgetá witã: oito contos mágicos, de Yaguarê Yamã, com ilustrações de Catarina Bessell

Oito contos da tradição do povo Maraguá, que vive à beira do rio Abacaxis, no estado do Amazonas. Essas histórias foram escritas por Yaguarê Yamã, geógrafo de formação, Maraguá por parte de mãe e Sateré-Mawé por parte de pai. Murmúrio conta a história do encontro entre um jovem príncipe adoentado e um velho jardineiro. Nos contos, o autor traz explicações dadas pelos mais antigos para fenômenos e aspectos da natureza, como a formação do arco-íris, por exemplo. Com muita poesia, o texto convida a mergulhar num mundo misterioso, cheio de delicadeza e profundidade e a refletir sobre questões importantes da existência.

Curupira: o guardião da floresta. De Marlene Crespo.

A história de Curupira, um dos mitos brasileiros mais populares, é contada por meio de palavras e xilogravuras. De origem indígena, o mito foi descoberto pelos jesuítas ainda à época da chegada dos portugueses ao Brasil e continuou presente na cultura popular brasileira e na amazonense, em especial. Considerado um ser detentor de poderes mágicos, o Curupira, no entanto, os utiliza para defender a natureza. Exerce poderes mágicos de vida e morte sobre todas as criaturas da floresta. É implacável contra os que tentam destruí-la.

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