Suspeito de matar e ocultar corpo de namorada em geladeira é preso em Sabará

Crime ocorreu no dia 8 de julho, por homem não concorda com o fim do relacionamento
Elisângela de Souza - Foto: Arquivo Pessoal
Elisângela de Souza – Foto: Arquivo Pessoal
Por Dentro de Minas - Google News (pordentrodeminas - googlenews)
Elisângela de Souza - Foto: Arquivo Pessoal
Elisângela de Souza – Foto: Arquivo Pessoal

Três dias após o registro do crime, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) cumpriu mandado de prisão temporária em desfavor de um homem, de 26 anos, suspeito de matar a ex-namorada, de 30, em Belo Horizonte. Ele foi localizado na cidade de Sabará, Região Metropolitana, no último sábado (18). Segundo a investigação, o crime aconteceu no dia 8 de julho deste ano, porque o investigado não teria concordado com o fim do relacionamento.

Os trabalhos policiais começaram na quarta-feira passada (15), a partir da localização do corpo, no bairro Planalto, região Norte da capital, no apartamento onde a mulher morava. A geladeira estava lacrada, ligada na tomada e com a porta virada para a parede. De acordo com a Delegada Ingrid Estevam, do Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídio, responsável pela investigação, a vítima foi vista pela última vez no dia 8 de julho.

Por meio de imagens de câmeras de segurança, a polícia refez os últimos passos da mulher. Segundo a Delegada, os dois saíram da casa da vítima por volta das 6 horas da manhã e chegaram ao trabalho dela às 7h. Em torno das 16 horas, eles saíram para almoçar, e ela retornou ao serviço. O suspeito permaneceu no local, inclusive manteve contato com ela, até o término do expediente. “Ele sempre estava cercando a vítima, tanto presencialmente como por telefone”, observa.

As imagens apontam que eles retornaram ao prédio da vítima por volta das 19h40. “De acordo com informações do suspeito, eles pediram lanches, tomaram banho e tiveram relações sexuais. Ao final de tudo isso, a vítima resolveu revelar seu interesse em findar o relacionamento. Provavelmente inconformado, porque durante o depoimento o investigado negou o envolvimento na morte, ele teria segurado ela pelo pescoço e a matado por asfixia. Vendo a situação do corpo, ele resolveu, friamente, ocultar o cadáver. Logo em seguida, ele juntou algumas coisas dele que estavam no apartamento e saiu do local com uma mala da vítima, aproximadamente às 21h40”, detalha.

O relacionamento

“Os dois se conheceram em um grupo de aplicativo, em março deste ano, e começaram a trocar mensagens em modo privado. O suspeito terminou o casamento e veio até Belo Horizonte para iniciar um relacionamento com a vítima. Após duas semanas, em meados de março, eles se encontraram presencialmente”, conta a Delegada Ingrid.

Segundo apurado, no dia 24 de junho, a vítima chegou a registrar uma ocorrência de ameaça contra o suspeito. “Na ocorrência ela relata que tinha medo do suspeito, porque ele ameaçou fazer algo para ela ou para a família, caso ela rompesse o relacionamento. Ainda no histórico, ela alegou que teria sido dopado pelo suspeito e, na oportunidade, ele teria subtraído o chip do celular dela. Provavelmente para ter acesso às informações que ela trocava com outras pessoas”, revela.

O suspeito vai responder por feminicídio qualificado, em razão da violência doméstica, e pelo meio cruel, além de ocultação de cadáver.

Feminicídios em BH

O Chefe da Divisão Especializada de Investigação de Crimes Contra a Vida (DICCV), Delegado Emerson Moraes, destaca o índice de 100% de apuração de feminicídios registrados na capital em 2020. “O ideal é não termos nenhum caso, mas, ocorrendo, a Polícia Civil tem desenvolvido investigações repressivas qualificadas para a completa apuração dos fatos e, consequentemente, prisão dos autores. É importante ressaltar o empenho na apuração desse tipo de crime. Este ano, de todos os nove feminicídios registrados em Belo Horizonte, oito suspeitos acabaram presos, e o nono morreu durante a execução do crime”, informa.

Importância da denúncia

A Chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Delegada-Geral Letícia Gamboge, destaca a importância da denúncia por parte das mulheres vítimas de violência, para que crimes como esses não aconteçam. “O Estado de Minas Gerais, por meio da PCMG, dispõe de diferentes meios para que seja feita essa notificação. A vítima pode ir pessoalmente aos plantões da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, na capital”, orienta.

Outra opção, segundo a Chefe do DHPP, é a Delegacia Virtual (https://delegaciavirtual.sids.mg.gov.br) para registros de ameaça e de vias de fato/lesão corporal contra a mulher no âmbito doméstico e familiar, bem como de casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência. “A notificação da ocorrência do fato é de suma importância para que a PCMG possa dar uma pronta resposta a essa mulher e, com isso, evitar o agravamento dessas situações de violência que, em casos mais graves, se desencadeia em feminicídio” ressalta.

Total
1
Comp.
Reportagem Anterior

Curada de lúpus, Sônia Oliveira leva esperança para as pessoas através da internet

Próxima Reportagem

Estado de calamidade pública em Minas Gerais é prorrogado até o fim do ano

Postagens Relacionadas