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Aliança Francesa apoia exposição do artista François Andes na Celma Albuquerque Galeria de Arte

François Andes – Divulgação. 

“A travessia do desastre”, exposição que apresenta pela primeira vez em Minas Gerais a obra do artista visual francês François Andes, está em cartaz na Galeria Celma Albuquerque.

Trata-se de um instigante conjunto de obras – desenhos, intervenções in situ, esculturas, figurinos e máscaras – que incita o público a viajar por meio de figuras mitológicas oriundas de diversas culturas da Ásia, Europa e do Brasil.

A mostra foi concebida durante períodos de residência artística de François Andes e do curador brasileiro Luiz Gustavo Carvalho, realizados no Brasil, Vietnã, Camboja e na Coreia do Sul, entre 2016 e 2020.

O principal protagonista da exposição é um curso fluvial que atravessa diferentes territórios e culturas. Assim, as pesquisas de François Andes e Luiz Gustavo Carvalho expõem analogias e outros sincretismos que podem ser encontrados entre representações de divindades femininas e masculinas ligadas à água e à floresta em diversas culturas ao redor do mundo e refletem sobre as transformações e perturbações da natureza, em decorrência do comportamento predatório do homem na terra. A destruição de áreas naturais, o desmatamento, a poluição atmosférica, a contaminação da água e a super exploração de recursos naturais alteraram radicalmente nossas terras e podem se tornar o terreno fértil para novas figuras mitológicas, bem como para o surgimento de novas crenças.

“François Andes nos apresenta um bestiário imaginário vasto e fascinante, povoado de sonhos, lutas e símbolos ancestrais de diferentes mitologias. O artista justapõe ao mundo uma fauna e população insólitas, lançadas no papel através de um traço cru e visceral, juntando-se a uma tradição que o distancia das fórmulas surrealistas e o aproxima do mundo de Hieronymus Bosch, Pieter Breughel ou Alfred Kubin.”, aponta o curador Luiz Gustavo Carvalho.

Algumas obras que integram a exposição, “Rio das Mortes” e “Rio sem retorno”, criadas durante uma residência artística durante o Festival Artes Vertentes – Festival Internacional de Artes de Tiradentes, em 2020, foram inspiradas em rios mineiros. “Este trabalho, realizado in loco durante um período de residência artística, foi uma experiência muito enriquecedora, não só por poder me inspirar diretamente desta paisagem, mas também por poder sentir, através de um diálogo com a população de Tiradentes, como a presença da água marca a cultura desta região”. Além disso, o artista estará presente na Galeria Celma Albuquerque, trabalhando na criação de duas intervenções in situ, em diálogo com as obras que integram a exposição. O público poderá acompanhar este processo criativo entre os dias 18 e 22 de outubro, de 16h às 18h.

Sobre o artista

François Andes vive e trabalha em Lille (França). Seu trabalho foi exibido em instituições de renome internacional, como o Centre d’Arts Visuels le Labanque, Béthune (França); o Musée du Château de Flers, Lille 3000, Villeneuve d’Ascq (França); o Museu de Bailleul e Fort de Mons (França); e no  Oulan Bator, Pôle d’art contemporain, Orléans (França). Andes realizou também performances durante a Nuit Blanche, Paris (França) e na Bienal de Mons (Bélgica). Em 2015, foi artista residente na Mons 2015 Capital Europeia da Cultura. Foi também, em 2017, o artista principal do Salão Internacional de Desenho Contemporâneo DDessinParis17. Participa frequentemente de residências em centros de arte contemporânea, como o Instituto Francês de Tétouan (Marrocos), Villa Saigon, Cidade de Ho-Chi_minh (Vietnã), Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, Rio de Janeiro (Brasil) e Fundação With Artist (Coreia do Sul). Em 2019, criou os elementos cênicos e figurinos para o espetáculo BWV 988: Trinta possibilidades de transgressão, que estreou no Teatro Plínio Marcos, Brasília (Brasil). Em 2020, seu trabalho foi exibido na Biblioteca Alexis de Tocqueville, em Caen, e no Centro Cultural Coreano, em Paris. Uma exposição monográfica de seu trabalho será apresentada no Centre d’Arts Visuels le Labanque, Béthune (França) até julho de 2021.

 Sobre o curador

 Curador, artista e pianista, Luiz Gustavo Carvalho apresentou a sua primeira curadoria na França, em 2011. No Brasil, como curador de mais de setenta exposições, ele apresentou pela primeira no país a obra de diferentes artistas visuais, tais como Antanas Sutkus, Serguei Maksimishin, Mac Adams e François Andes, entre outros. Em 2012, criou o Festival Artes Vertentes – Festival Internacional de Artes de Tiradentes, que recebeu durante as últimas nove edições mais de 250 artistas sob a sua direção artística. Entre 2011 e 2014 integrou a direção artística do Zeitkunst Festival, em Berlim. Participou de diferentes programas de residência artística na América do Sul, Europa e Ásia. Desde 2016, colabora de maneira regular com o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro.

Sobre a Celma Albuquerque Galeria de Arte

Desde sua fundação, em 1998, a galeria mantém um calendário regular de exposições de arte contemporânea. Da combinação bem sucedida entre expertise curatorial arrojada com uma sólida e fundamentada visão da arte como empreendimento, resulta uma singular apresentação de obras e artistas contemporâneos, permanentemente atenta à polissemia de suas linguagens, suportes e configurações. Projetada para abrigar os mais variados tipos de projetos artísticos, como debates, bate-papos com artistas, críticos e curadores, além de mostras e exposições que contemplam amplamente o resultado de um empreendimento artístico e, frequentemente, também as etapas e pormenores de sua realização. Em 2019, foi inaugurada a Casa Albuquerque, nova sede da galeria em Brasília-DF.

Serviço:

Exposição “A travessia do desastre”, de François Andes

Curadoria: Luiz Gustavo Carvalho

Galeria Celma Albuquerque

Rua Antônio Albuquerque, 885

Inauguração: 18 de outubro

Período expositivo: 18 de outubro a 12 de novembro

Visitação: Segunda a sexta, de 10:00 às 19:00, sábado, de 10h às 13:30h

www.galeriaca.com

Exposição realizada com o apoio do Serviço de Cooperação e de Ação Cultural (SCAC) da Embaixada da França no Brasil e da Aliança Francesa de Belo Horizonte.

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