Redes Sociais

Close-Up em Preto e Branco

Marcelo Fraga: Ser atleticano é uma filosofia de vida

close-up-em-preto-e-brancoAh, o que é ser atleticano? É uma doença? Doidivana paixão? Uma religião pagã? Bênção dos céus? É a sorte grande? O primeiro e único mandamento do atleticano é ser fiel e amar o Galo sobre todas as coisas.” (Roberto Drummond)

A torcida do Atlético é uma das mais emblemáticas do planeta, sua paixão e fidelidade cria personagens que revelam toda a riqueza da cultura atleticana, em poucos minutos de conversa. Caso do jornalista Marcelo Fraga, 28 anos, morador da região do Horto, acompanha o Galo desde os quatro anos, a primeira partida que assistiu foi Atlético e Botafogo, no ano de 1992, a partida terminou 2 a 0 pros cariocas.

Pra Marcelo a torcida do Atlético, “É a torcida mais argentina do Brasil, mas mesmo que o Atlético estivesse na Argentina, a gente ainda seria a melhor torcida daquele país.”, segundo ele o que diferencia o torcedor atleticano dos demais é a intenção de ir ao estádio apoiar sempre, não importando se o adversário é a Caldense ou o Boca Juniors.

fraga-2O jornalista brinca sobre o fato de ter um irmão cruzeirense, “Ele não teve muito convívio comigo, caso contrário não teria tomado esse caminho na vida. Mas o importante é que tem saúde.”, brincadeiras a parte Marcelo fala sobre seu posicionamento sobre a violência entre torcedores rivais. “é inaceitável que esse tipo de coisa ainda tenha espaço em nosso país, não apenas com torcedores de Atlético e Cruzeiro, mas com todas as torcidas”. Fraga 2

Durante sua entrevista, Fraga contou sobre como relaciona o Atlético e a região onde mora. Para ele mesmo antes da Libertadores o Atlético tinha uma relação muito próxima com o Independência ou “O Horto”, nome que a torcida deu ao estádio, quando as coisas apertavam nos campeonatos que disputava, o Galo mandava os jogos pra lá e a coisa melhorava. E conta um fato curioso e triste dos jogos que acompanhou no estádio, “fui a todos os jogos do Atlético em 1999, inclusive aquele Atlético e Vitória, em que a pancadaria começou dentro do campo e foi parar na arquibancada”.

Entre Mário Henrique Caixa e Willy Gonser ele foi enfático, “Willy Gonser sem pensar duas vezes! O fato do cara ser gaúcho e gremista, mesmo assim a identificação que ele criou coma torcida e vice versa, é simplesmente uma coisa fantástica.”, Willy é também um dos maiores narradores do Brasil, em números de copas narradas, foram 11 (1962, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006).

Marcelo fechou seu depoimento falando sobre o que é ser atleticano pra ele, “Pra mim é uma filosofia de vida. Depois de ter tomado três, quatro a zero, você conseguir vestir a camisa e ir pra rua com ela, não é nem pra provocar o adversário não. É natural! Então, é uma filosofia!”

Continua lendo
Publicidade
Comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close-Up em Preto e Branco

O Imponderável se tornou o estilo de jogo do Atlético

O Imponderável se tornou o estilo de jogo do Atlético, quando menos se espera um Galo sai da cartola – que me perdoe o Coelho, mas da nossa cartola só sai Galo mesmo – um lance mágico, que vai fazer a vida, mais uma vez, ficar linda em preto e branco.

Com certeza os donos das principais salas de cinema do mundo começam a se preocupar. Sabe por quê? No cinema se gostou de um filme e vai assisti-lo de novo é o mesmo, o final não muda. Se desligar o projetor já era e quando é promoção de meio de semana piorou. Só na outra quarta-feira tem mais.

Essa última frase pareceu provocação…

Já com o Galo é como disse Fernandinho: Aqui não! Aqui a emoção é constante, o projetor não desliga – a chave de energia do estádio caiu uma vez – os jogos lhe oferecem drama, suspense, aventura e ficção ao mesmo tempo. Tem sequência de viradas históricas (por falar em virada, Marcos Rocha tem crédito, mas que vacilo aquela virada de bola em frente à área hein?), gol aos 49 do segundo tempo, artilheiro escorregando com gol vazio e isso sem falar – sei que é mais uma vez, mas o lance vale a pena ser lembrado – na defesa de pênalti aos 45 da etapa final. Defesa essa que, Eu Acredito!, nos tirou do inferno e arremessou, com a força de um chute do Éder Aleixo, direto no céu.

Ao atleticano, hoje, é inevitável acreditar. Depois do jogo contra o time cascudo e bem armado do Inter, na minha opinião, a melhor partida desta rodada da Libertadores até agora, hoje ainda tem Boca e Ríver, que deve ser um jogaço. Mas voltando, ao torcedor do Galo, hoje, é inevitável acreditar, pra ser sincero foi uma coisa que ele sempre fez, ao longo do período de jejum de conquistas e vexames, alguns históricos como a queda para a Série B, situações que se acontecessem com outros clubes, certamente os levaria ao desaparecimento.

E sem sombra de dúvida a fé no Imponderável, passada de pai para filho, como um traço genético e de tanto o acreditar no time do impossível, a Fé do atleticano se materializou e mais uma vez, um gol no fim transformou a descrença em esperança.

Ave Galo cheio de Raça!

Ganhar no Beira-Rio é muito difícil – pra não dizer quase impossível – o Colorado jogará motivado, pelo bom resultado conquistado no Horto e com o apoio de sua enorme e apaixonada torcida. As cenas do próximo capítulo prometem, porém, mais uma vez me apego aos versos de Roberto Drummond, “Se houver uma camisa preta e branca pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento.”

 

Continua lendo

Close-Up em Preto e Branco

Fausto de Souza: Não é título que move o atleticano, é uma coisa inexplicável

close-up-em-preto-e-branco

“Teve uma vez que eu entrei no ônibus, depois de um jogo e tinha lá um cara fortão, que virou pra mim e disse: – Mas o Cruzeiro ganhou de quatro… Eu respondi: – Não meu amigo, ganhou de cinco e não adiantou nada! O Galo ainda é líder!… Ele olhou pra mim e falou: – Mas de futebol eu não entendo muito não, meu negócio é Pugilismo… E eu: – Opa! Vou rodar a roleta aqui, depois conversamos…”

Fausto de Souza (54) é formado em direito e hoje ocupa uma cadeira no Conselho Tutelar, da Regional Oeste de Belo Horizonte. Um atleticano da antiga, que como todo bom torcedor do Galo, permaneceu firme com o time mesmo na época de poucos títulos, “Não é titulo que move o atleticano. É mais aquela coisa ali de, como diria Drummond: Se houver uma camisa preta e branca pendurada no varal, o atleticano torce contra o vento.” e completou, “quando você está no estádio, junto com a Massa, é um negócio inexplicável.”

Ele conta que se tornou atleticano remando contra a maré, durante sua infância, quando veio de Caratinga para a capital, a maior parte de seus familiares era cruzeirense, ele acredita que devido ao momento que o time celeste vivia, entre as décadas de 1960 e 1970. “Eu desde criança comecei a gostar do Atlético e a gostar mesmo! Em uma época que o time do Cruzeiro era até melhor, época daquele grande time, do Tostão e tal.”

fausto-2O advogado revela que sempre foi uma pessoa muito pacífica, o que sempre lhe ajudou muito na relação com as pessoas, não somente no aglomerado Cabana do Pai Tomás, local onde vive desde que chegou a BH, mas em todos os lugares. Um fato porém, poderia ter dado a entender o contrário, ele revela:

– Houve uma vez que estava indo a um jogo do Galo e resolvi cortar caminho pelo Barro Preto, pra chegar ao bairro Lagoinha. Estava com minha bandeira amarrada no pescoço, em frente a sede do Cruzeiro e tinha lá alguns cruzeirenses tomando cerveja na calçada. Pensei: Vou passar correndo pra evitar confusão… Foi quando a bandeira bateu no rosto de uma das pessoas da mesa, eles começaram a me xingar. Eu? Continuei correndo pra evitar briga.

Para o Conselheiro Tutelar, muitos craques inesquecíveis vestiram a camisa do Galo Cerezo, Ortiz, Marcelo e pontua, “com exceção do Dadá, que era mais uma lenda que um craque… Há há há há…”. Porém, Reinaldo foi o melhor jogador que ele viu com a camisa alvinegra, revela inclusive um gol inesquecível, que viu do craque no Mineirão. No jogo entre Atlético e Vasco em 1976, em que o Rei chapelou o zagueiro Abel Braga dentro da área, para marcar um dos gols mais bonitos que já viu.

Fausto finalizou dizendo, “Torcer pro Atlético é muito gostoso, você desestressa das outras coisas da vida!”

Continua lendo

Close-Up em Preto e Branco

Ana Carolina Chaves: Amor Incondicional

close-up-em-preto-e-branco

Dessa vez fui entrevistar uma linda e apaixonada torcedora atleticana. A jovem Ana Carolina Chaves, que do alto de seus 22 anos dá testemunho da vivência que, certamente terá muitos pontos em comum com a história de vários atleticanos.

Ana conta que se tornou atleticana graças ao seu pai Marcos, único a torcer pelo Galo entre seus sete irmãos flamenguistas e cruzeirenses. Ela revela que quando mais nova, não conseguia ver o futebol como algo legal, pelo fato de ser menina. Com o passar do tempo, acompanhando os jogos junto a seu pai e seu irmão, foi descobrindo a força da Massa, “Foi a torcida quem primeiro me conquistou, ela fez com que eu me perguntasse: Como posso não gostar disso aqui?”.

A jovem lembrou que o primeiro encantamento foi com uma organizada do clube, com o passar do tempo ela acabou se afastando por não concordar com algumas coisas que aconteciam. Mas para Ana a principal virtude da organizada foi lhe mostrar o que era ser atleticana.

Carol compartilha um ponto de vista sobre a disputa da série B, que vai ao encontro do que muitos torcedores pensam daquele momento. Foi difícil, mas ao mesmo tempo foi construtivo, para a identidade do atleticano,  “não tem por que sentir vergonha do time  ter caído.”

Clique no link e ouça o áudio: A Série B

ana-pbNossa personagem disse que o momento  mais difícil vivido, enquanto torcedora, não foi o fatídico 6 a 1 para o rival, ou mesmo a queda em 2005. A penalidade no jogo contra o Tijuana (MEX), Aos 43 do segundo tempo, que poderia ter eliminado o Galo da Libertadores 2013 foi o momento casca grossa na opinião dela, . Ana fez uma promessa naquele dia.

Clique no link e descubra qual a promessa: A Promessa

Tardelli é apontado por ela como o melhor jogador que viu com a camisa do Atlético, apesar de achar Ronaldinho  peça essencial para que o Atlético viesse a obter suas últimas conquistas, segundo Carol, DT9 tem mais a cara do alvinegro, “Jogador do atlético tem de ter raça, ele precisa gostar do time. E o Tardelli mostra isso pra mim, eu vejo ele como o cara que joga com vontade.”, observou a jovem.

 A barraca de Cachorro quente

Dentro das histórias que surgem, no mundo de quem torce por um time de futebol, várias são simplesmente incríveis. Alguns lugares se tornam referência para os apaixonados pelo esporte. Já vi gente que briga com santo, assiste jogo só em um determinado lugar do estádio, não usa determinado tipo de roupa, mas confesso que essa foi a primeira vez que vi uma barraca de cachorro quente ser citada.

Uma história que vale a pena ouvir, clique no link a seguir e ouça a divertida e apaixonante história contada por Ana: O Dogão

No final de nossa entrevista Ana definiu o Atlético como, “Amor Incondicional. É muito gostoso torcer pro Atlético! Ah… É muito bonito, é muito lindo torcer… Ah… (risos) Eu não consigo explicar.”

Continua lendo