Opinião: Abudo da Mocidade

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Abudo da Mocidade”
Por Dentro de Minas - Google News (pordentrodeminas - googlenews)

Cada um tem uma lembrança diferente de cada época de sua vida. Lembro do tempo em que estava na faculdade, quando os alunos tomaram a reitoria do PUC em protesto ao aumento na mensalidade.

Eu, que estudava na federal, também fui na greve da PUC, que se tornou o ponto de balada na cidade. Bandas tocando, etc. Lembro que levei uma pequena garrafa de vodka e fui admoestado por um dos supostos organizadores. A maconha corria solta, mas vodka aparecendo na garrafa não podia. Só podia se estivesse misturada na coca. Vai entender uma coisa dessas.

Para alguns, certamente a lembrança daqueles dias foi de luta contra o capitalismo opressor. Para mim a lembrança foi de muita paquera e azaração. Cada um teve uma visão diferente daquela mesma situação.

Relembro desse momento por causa das situações vivenciadas em virtude do corona vírus. Para mim é um momento chatíssimo em que vou de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Li, no entanto, que em Florianópolis as baladas estão comendo soltas em festas privadas.

Em uma delas fizeram até a dança do coveiro, em que uma pessoa se deita e as outras a levantam nos ombros como se estivessem carregando um caixão. Mal gosto danado, mas pela cara da turma a cachaça estava boa. Ou melhor, cachaça nada. Ali só tem whisky blue label pra cima.

Cada pessoa tem uma percepção diferente da realidade. Eu não encontro ânimo nem mesmo para convidar um casal de amigos para ir na minha casa. Tenho medo até mesmo de visitar meus pais. Outros não estão nem aí. Levam a vida como uma festa, e nessa festa vale até piada com coveiro.

A despreocupação é tanta que nem parece que estamos passando por uma situação de saúde tão séria em nosso estado. Invejo a alegria dos festeiros. Quisera eu ter um pouco dessa felicidade para mim.

Infelizmente, no entanto, não consigo. Fico com a impressão de que festejar nesse momento tão triste, fazendo piada sobre quem vai pra cova, não é de bom gosto. Talvez a falta de consciência seja em virtude da idade, mas pensando bem, pelas filmagens que vi, os baladeiros não eram tão jovens assim. Pode ser por isso que dizem que a juventude está na cabeça das pessoas, e não nos anos vividos. Pelas imagens que vi, certamente nas cabeças daquelas pessoas há apenas o adubo da mocidade.

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