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Marcelo Harger

Opinião: Esperando o amor chegar

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Esperando o amor chegar”

O amor é algo que surge. Não se explica. Todos buscam. Alguns encontram. Outros não. Algumas vezes surge rápido. Outras demoram. Pode ser na forma de uma pessoa. Talvez de um filho ou namorado. Outras vezes um amigo ou ente querido. Outros se afeiçoam perdidamente a um animal ou objeto. São formas diferentes de amor.

Uma coisa é certa. O amor brota inesperadamente. Não sabemos por que amamos alguém. Sabemos que amamos. Isso basta. Tenta-se justificar racionalmente. Uns dizem que é por causa da beleza. Outros pela inteligência ou ainda por um jeito de olhar ou sorrir. Nenhuma dessas justificativas funciona. Certamente existem pessoas mais bonitas, inteligentes e alegres que aquelas que amamos, mas não é com essas pessoas que o laço se forma.

Normalmente é com alguém insuspeito. Tentar explicar é besteira. Não se explica o que não é racional. Já se disse que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Essa é a verdade. É sentimento. Não se explica. Vivencia-se.

Não adianta forçar o amor. Por mais que alguém se esforce ele não acontece. Não depende de esforço ou desejo. Precisa de serenidade e preparação que somente a vida traz. Quanto mais se busca mais distante ele fica. Quando se deixa de procurar ele surge. Algumas vezes muito mais próximo do que poderíamos imaginar.

É que não adianta procurar com a visão. O essencial é invisível aos olhos. Só se encontra se olharmos com o coração. Quem disse isso foi o pequeno príncipe. É lugar comum, mas é verdade. Foi ele também quem disse que quando alguém que amamos chega as quatro desde as três somos felizes. Pensamentos simples, mas profundos para pensar enquanto esperamos.

Enquanto aguardamos somente podemos preparar nossos corações, porque quando estivermos prontos para o amor certamente a pessoa amada aparecerá.

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Marcelo Harger

Opinião: Juventude

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Juventude”.

A idade está na cabeça das pessoas. O importante é ser jovem de espírito. Alguém que diz essas coisas é porque já não é tão novo assim.
Para não ficar feio, vamos dizer que é jovem “há mais tempo que os demais”. Assim fica melhor.

O fato é que a juventude tem todos os seus encantos. Ninguém pode negar. A emoção de se conhecer tudo pela primeira vez é indescritível. Desde os primeiros passos quando crianças, passando pela primeira vez em que andamos na escada rolante ou no elevador. E a primeira vez em que vemos o mar? É só encanto. Certamente nunca havíamos visto coisa tão bela. O primeiro beijo e a primeira namorada. Nada mais emocionante que o prazer dessa descoberta. As grandes paixões e sofrimentos por amor. Juramos que jamais vamos amar novamente da mesma maneira e na semana seguinte o coração já pulsa com toda força. Juventude é assim, coisa bela.

Dizer que a velhice é a melhor idade pode ser politicamente correto, mas não é verdade. Bom mesmo é a vida despreocupada de nossa
mocidade, quando temos todas as certezas do mundo. Certa vez perguntaram ao homem mais sábio do mundo com que idade um homem terá todas as respostas para os problemas que afligem a humanidade. Ele prontamente respondeu que é na juventude. Os jovens tudo sabem.

Antes que me acusem de saudosista vou logo concordando. Tenho saudades mesmo, mas não de voltar ao passado. É daquela que temos pelas experiências que são únicas. Jamais poderei repetir a emoção de ler Monteiro Lobato ou Vinícius de Moraes pela primeira vez. E isso traz saudades. Essas experiências tiveram o seu momento e o passar do tempo vai reduzindo as surpresas diárias que temos. Com a idade passamos a nos surpreender pouco, e isso ocorre porque mantemos aqueles hábitos antigos, que são fruto das primeiras emoções que experimentamos.

Certamente, para mim não é mais possível aprender a caminhar ou beijar pela primeira vez. Tampouco será possível ter novamente a emoção
do primeiro contato com o mar ou com um livro do Vininha. Desculpem, quis dizer Vinícius. Gosto tanto do que ele escreveu que já virou íntimo. É possível, no entanto, ter outras “primeiras vezes”. Podemos aprender a correr ou a tocar um instrumento musical. Que tal fazer teatro? A emoção da primeira vez em um palco deve ser indescritível. E descer ao fundo do mar? E subir ao cume de uma montanha? E conhecer a neve? Todas essas são experiências dignas de se realizar.

Estou fazendo a minha lista e cada dia me surpreendo com as coisas que ainda restam por fazer. Optar por viver constantemente experiências novas não traz de volta a juventude perdida, mas permite que mesmo com idade avançada mantenhamos o encanto da descoberta.

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Marcelo Harger

Opinião: Errar é humano

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Errar é humano”.

• atualizado em 02/11/2018 às 15:12

Errar é humano. É o que se diz. Apesar disso os erros, sejam grandes ou pequenos maculam. Ninguém leva em conta as milhares de vezes que acertamos diariamente. Um erro, no entanto, é pra sempre lembrado. Todos os acertos juntos não servem para apagar um único erro.

Um erro basta para que passemos a ser considerados com todos os defeitos e nenhuma virtude. As pessoas más adoram espalhar rumores e as boas são muito tímidas ao conferirem aplausos.

Não são somente os maus que agem errado. As pessoas boas também erram. Erram muito mais do que deveriam. A diferença é que sofrem com os seus erros. Quanto melhor é a pessoa, pior o sofrimento e maior a publicidade que os demais darão à falta praticada. Ninguém tem interesse em contar pra alguém que uma pessoa torta errou novamente. Aquele que é direito, quando age errado, vira notícia. Todos sentem uma felicidade sádica ao saber que aquele que é considerado modelo de conduta para todos tem suas fraquezas.

O homem de bem sofre quando vê o seu erro exposto. Envergonha-se a ponto de não querer sair de casa. Sofre porque a retidão do seu caráter faz com que tenha uma percepção distorcida, que acaba por tornar o malefício praticado mais grave do que realmente foi.

O único modo de superar a vergonha é manter a cabeça ereta e encarar as consequências dos erros praticados. Há males que não podem ser reparados. Não se pode voltar atrás e engolir de volta as palavras ácidas proferidas para um ente querido em um momento de fúria desmedida. Resta apenas continuar vivendo e se esforçando para não mais errar. Todo ser humano já praticou algum ato do qual não tem orgulho. O importante é evitar repetir os erros e aprender com as faltas praticadas, porque aquele que nunca errou é porque nada fez que merecesse valor.

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Marcelo Harger

Opinião: Filho

Na coluna de Dr. Marcelo Harger desta semana, leia: “Filho”.

“Filhos? Melhor não tê-los. Mas se não os temos como sabê-lo?” Essas são as estrofes iniciais de um poema de Vinícius de Morais chamado Poema enjoadinho.

Ao contrário do que se depreende da estrofe inicial não se trata de dizer que não é bom ter filhos. O poetinha faz uma comparação entre aqueles que são pais e os que não o são.

Crianças são problema. Dormem quando queremos que fiquem acordadas e acordam quando queremos que durmam. Fazem coco e pipi na cama. Largam brinquedos por onde passam. Quebram coisas. Derrubam copos e pratos durante o jantar. Choram. Exigem cuidados em tempo integral. Desaparecem na menor desatenção. Enfiam o dedo na tomada, engolem botões, bebem detergente, queimam a mão, debruçam-se na janela, ficam doentes e muito mais. Qualquer um que ler essa lista fica cansado, mas se for pai se identifica. É um verdadeiro horror e os “não-pais” assustam-se com isso.

Não imaginam, no entanto, a proximidade que todas essas coisas trazem entre dois seres. Crianças são extremamente dependentes e essa dependência encanta, pois somente conseguem sobreviver ao mundo com o apoio dos pais. Cometem diabruras, mas não há maldade. Há falta de compreensão do mundo que as cerca. Como é bom ensiná-las o modo correto de proceder. Ouvir as risadas gostosas. Ver o olhar de admiração pela mãe mais bonita e o pai mais poderoso do mundo. A emoção das primeiras palavras e dos primeiros passos. As frases engraçadas que dizem. As coisas profundas que ensinam. A capacidade extrema de perdoar.

E o olhar de encantamento pelas descobertas mais simples? Que dizer então do abraço apertado e do beijo delicado que nos dão? Como esquecer das vezes em que com eles dormimos abraçados? E do cheiro gostoso que têm? E dos cabelos tão macios?

Os benefícios superam em muito as dificuldades. Filhos melhor é tê-los. E quando os temos como esquecê-los?

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