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Flávio Melo

Opinião: O que fazer quando se tem vontade de fazer nada?

Na coluna de Flávio Melo desta semana, leia: “O que fazer quando se tem vontade de fazer nada?”

Quem já não se sentiu para baixo, com dor no corpo e com um grande mal-estar? A vontade de produzir vai à estaca zero e as ideias somem da cabeça, o único objetivo é voltar a dormir. Enquanto isso as horas passam devagar e o ciclo da vida se mantém aberto esperando o tempo escorrer, aguardando o corpo se restabelecer. Essa espera é uma oportunidade para uma avaliação, pois é importante verificar se estava correndo demais com os compromissos, ou mesmo se estressando e ficando ansioso por resultados que necessitam de tempo para aparecerem. Em contrapartida, os pequenos contextos para apreciar o lado bom da vida são ignorados, sem se dar conta de que as grandes lembranças surgem a partir de pequenos momentos.

Às vezes é necessário um mal-estar para mostrar que o ritmo que se está vivendo não está saudável. O corpo perde a saúde quando a vida está desequilibrada. É comum que diante do fim da vida, a pessoa perceba que poderia ter vivido melhor e ter dado mais atenção às pequenas coisas que a vida lhe apresentava todos os dias. No entanto, o mais importante é se dar conta disso quando se está saudável e disponibilizar o tempo para guardar na memória a simplicidade do viver.

A vida de uma pessoa pode ser comparada a dois cronômetros acionados no instante do seu nascimento: um marca o tempo progressivamente, possibilitando contar sua idade em anos de vida, e o outro está em contagem regressiva a partir das informações gravadas nos genes, indicando a condição e o tempo máximo do organismo. Quando esse chegar no seu final, o ciclo da vida se encerra, independente da vontade ou dos projetos que estão em curso. O tempo regressivo pode ser abreviado dependendo do modo de vida, caso a pessoa comprometa a saúde a partir dos seus hábitos alimentares, uso de drogas, remédios em excesso, sedentarismo, etc.

Desta forma é possível tomar dois pontos de vista sobre a vida: esperar a morte chegar achando que não vale a pena lutar ou focar na construção dos projetos que deseja edificar e não perder tempo com lamentações. Dias ruins são normais. Dias em que a única coisa que queremos fazer é nada. Dias em que tudo parece em vão. Não se preocupe, esses dias são passageiros. Dê um tempo para si e reavalie como você está organizando a sua vida. Preste atenção no que quer para o seu futuro e analise os erros do passado a fim de não repeti-los. E não se esqueça: busque um contexto de vida que te faça feliz.

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Flávio Melo

Opinião: Como criticar alguém

Na coluna de Flávio Melo desta semana, leia: “Como criticar alguém”

É bastante comum pessoas criticarem os outros, porém quando são criticadas não gostam e geralmente tentam se justificar para salvar a sua imagem, ao invés de prestarem atenção no que estão lhe apontando. O interessante é que as empresas de sucesso gastam fortunas fazendo pesquisa a fim de saber a opinião dos clientes, já que sabem que a permanência no erro pode custar ainda mais caro. E em geral as pessoas desperdiçam uma consultoria gratuita, que é a crítica, para se tornarem melhor. No entanto, o problema pode residir na forma como a crítica é feita, fazendo com que o criticado se arme para não se sentir rebaixado. Sendo assim, tem alguma maneira de criticar alguém para que a pessoa reflita sobre si e agradeça por lhe apontar suas falhas?

A metodologia mais comum é iniciar a conversa com um elogio sincero de algo que a pessoa já faz bem feito. Isso serve para evitar uma reação refratária diante da crítica que será feita em seguida. A crítica propriamente dita inicia-se indicando a situação ou um ocorrido de forma breve e, logo após, aponta-se o objetivo, a meta ou o desejo que o outro gostaria de alcançar e que não está alcançando em função do seu respectivo comportamento. Dessa forma, chama-se atenção para um sistema de recompensa. Desde a infância aprendemos a nos orgulhar das vitórias, então sempre que se chama atenção para a pessoa conquistar algo que deseja e não está conseguindo, ela tende a se motivar e a escutar o que será falado.

Uma vez tendo a atenção do outro, está na hora de sugerir ações para que o mesmo alcance seu objetivo. O ideal é, ao citar as alternativas, complementar com exemplos, visto que nem sempre quem foi criticado sabe como fazer. Agindo dessa maneira, o criticado fica satisfeito, pois percebe que o que lhe foi apontado não foi contra a sua pessoa, mas uma forma construtiva de ajudá-lo na realização do seu projeto. Em vez de ficar chateado e querer se justificar, tende a agradecer e sai motivado a corrigir.

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Flávio Melo

Opinião: A influência da primeira infância na adolescência

Quer ter um filho saudável psicologicamente?

A adolescência é um momento de descobertas, de um novo posicionamento diante dos outros e uma compreensão mais abrangente do mundo. E a base para que isso ocorra está no desenvolvimento infantil. O período de maior atividade cerebral que uma pessoa vai ter acontece até os três anos. O cérebro de uma criança com essa idade é duas vezes mais rápido do que de um adulto, por isso a importância de usar esse momento para ensinar bons hábitos.

Uma forma de melhor desenvolver uma criança é possibilitando o conhecimento na presença dos adultos e outras crianças, pois acompanhada ela consegue focar melhor, aumentando sua capacidade de conexões neuronais. Segundo Jack Shonkoff, professor e pesquisador da Universidade de Harvard, a cada segundo o cérebro de uma criança faz cerca de 1000 novas conexões entre células nervosas. É durante esse período que ela conhece o mundo, percebe as pessoas que a sua volta e faz relações entre os objetos que a cercam, percebendo as formas, cores e funções. Também começa a aprender uma linguagem e desenvolver sua comunicação. A educadora italiana, Paola Strozzi, salienta a importância da criança brincar construindo objetos e histórias, visto que na construção ela dá significado ético e estético aos elementos.

No entanto, para que ocorra aprendizado é necessário que os pais proporcionem certo grau de desafio para que a criança possa alcançar o projeto e ao mesmo tempo se frustrar caso não consiga fazer. Esse equilíbrio exige da criança um caminho, uma ordem e um cuidado para concluir o que iniciou, além de desmitificar a ideia de que tudo é perfeito e tudo acontece do jeito que ela quer. A presença de adultos nesse processo é fundamental, porque ao ser estimulada, terá incentivos para ultrapassar os desafios que lhe são impostos numa brincadeira e aprenderá a continuar quando não conseguir fazer algo.

Esse conjunto psíquico/social/biológico precisa se desenvolver para chegar à adolescência com conexões neuronais, que permitam conviver com os outros, estudar, explorar o mundo da melhor forma possível.

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Flávio Melo

Opinião: A morte de um filho

Na coluna de Flávio Melo desta semana, leia: “A morte de um filho”

• atualizado em 02/08/2018 às 10:55

Os pais sonham com o filho e o que farão juntos antes mesmo da gravidez. Esse desejo de construir uma família e de dar continuação ao seu próprio ser através da existência de um filho é uma ideia bastante comum entre pais e mães. O amor pela criança só aumenta com a espera durante a gravidez, os cuidados depois de nascer, as preocupações e a satisfação de o ver crescer e descobrir o mundo.

A morte desse filho é um drama que se inicia com a notícia do seu falecimento, visto que o sentido da vida se dá a partir dos desejos e projetos que a pessoa coloca em ação. E a morte é a interrupção abrupta dos projetos ainda em curso. Nesse caso, é uma dupla interrupção, pois além de indicar a perda do filho, desmancha o sonho de compartilhar a vida em família.

Já o nascimento aponta a responsabilidade que a mãe e o pai terão pela frente, fazendo com que mudem sua forma de pensar, de agir e de sentir. Os significados que norteavam sua vida até aqui mudam radicalmente. Então, a notícia de que um filho veio a óbito traz um vazio insuperável. Pode parecer que os pais superaram, mas no íntimo, a lembrança se faz diária: através de lembranças e de projeções de um futuro que nunca se deu “o que ele estaria fazendo se estivesse vivo ou como gostaria que ele estivesse participando desse evento”.

Amenizar o sofrimento é construir um novo projeto. No entanto, para isso é preciso ter paciência para que o tempo cicatrize as feridas. E por mais que amigos e conhecidos tentem animar os pais enlutados com frases como: “Vocês são novos, podem ter outro filho”, “ Faz parte da vida e talvez ele tenha uma outra missão”. Isso não ajuda. Muitas vezes o resultado é o contrário, faz aumentar a raiva da perda do filho.

Portanto, caso queira consolar com eficiência, fique ao lado em silêncio e no máximo diga que está disposto a conversar. Escute as queixas, as lamentações e as raivas. É isso que uma pessoa que está passando por uma perda quer. Deixe passar uns dias e então, se necessário, converse a respeito e dê sua opinião. Entenda que é o futuro que puxa a pessoa para a vida. E o filho representa o futuro dos pais, por isso é muito difícil lidar com a morte. Além disso, existe a expectativa de que os filhos enterrem os pais e quando o contrário acontece, é difícil aceitar.

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  • Psicólogo Flávio Melo Ribeiro

    Flávio é Psicólogo formado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1988, especialista na área clínica pelo Conselho Regional de Psicologia e Especialista em Gestão de Empresa pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Sobre a coluna

Coluna debate diversas atividades para trabalhar problemas de depressão e de relacionamento amoroso.